terça-feira, 8 de novembro de 2016

Hortelã.


Era um daqueles sorrisos que brilhava, um olhar que era felpudo de tanto que me fazia querer aninhar... Aquela pessoa que você tem uma impressão de que foi tão bem feita que dá vontade de ficar olhando para sempre. Até as cores combinavam todas entre si e com ele também.
Tinha tempo que eu não via um pouco de inocência e nem eu mesma sei se vi, ou se preferi ver.
Lembro de olhar para você, pelo menos umas duas vezes, com uma cara de bocó porque quando eu te via, eu meio que me surpreendia com tanta boniteza. E continuei a me surpreender e nunca mais parei. Olho suas fotos e sinto um calor gostoso, como se o corpo tivesse ido a praia em uma daquelas férias gostosas de fim de ano em alguma casa de praia aconchegante. Me preenche, me deixa cheia de lembranças que eu ainda nem tenho. E é claro que tudo se mistura, inclusive aquela vontade de amar, com a vontade de sentir exatamente o cheiro do seu corpo, e o gosto dessa saliva que eu juro por todas as Deusas que deve ter gosto de Hortelã bem refrescante, assim como a sua presença.
Você tem cara de história boa, que eu quero contar muito.
Tem cara de safadeza gostosa, que eu quero passar um tempão fazendo.
Tem essa cara bonita de aventura, ciúme, loucura... Que cara essa sua! 
Mas assim como a inocência e as férias de fim ano, algumas coisas chegam ao fim.
Pra não dizer, tudo.
Lembrei que você não existe, nunca existiu e eu quis mais do que tudo o que pensei que nos tornaríamos. Não houve tempo e pode ser que nem no futuro a gente conjugue esse verbo.
Lembrei que você foi se esvaindo motivado sei lá por quais motivos. Mas é claro que os teve.
E quem sou eu para procurar encrenca para mim e para os outros?
Quem sou eu para representar abandono e culpa?
Quem sou eu pra cometer os erros de sempre?
Eu não sou assim, eu sou tão mais. Eu sou certeza, sou garantia. E é exatamente o que eu procuro na reciprocidade de qualquer aproximação.
E você também. 
Eu nem sei se quero terminar esse texto porque prometi para mim que depois dele, nenhum mais será escrito sobre você. Porque senão a gente nunca se despede e eu quero muito me despedir. Não dá pra entregar em uma bandeja de prata, um lugar tão grande num cenário que não se quer ocupar.
Eu só precisava escrever sobre isso, hoje foi um dia longo e eu pensei bastante e eu...
Só precisava escrever.

E o seu maior medo, qual é?

Não existe o amanhã. Não existe o depois de amanhã, não existe o depois e tampouco os seus planos para o futuro. Não existe futuro. A gent...