sábado, 30 de setembro de 2017

Livre mesmo presa.

Eu com um cigarro aceso e  uma taça e vinho, ele deitado nu na cama. Eu tento desenvolver as ideias para transcrever o que sinto, mas a verdade é que ele me fez sentir como eu nunca, jamais esperaria sentir. Não agora. Eu me senti feliz. Bem agora, aqui, vivendo o que eu vivo e sentindo o que eu sinto. Pensando que seria impossível tirar a mente das coisas que me deixam triste. A gente se esquece que não pode perder tempo e que se algum contexto não parece favorável e se você já fez o que tinha para fazer, você apenas sai andando pra frente, sempre. Se move pro mundo se mover.
Ele levanta, vem ler o que eu to escrevendo, eu escondo o papel, me diz que eu tenho que parar e dar atenção à ele. Porque ele já tá com saudade e vontade, me faz cócegas algo que eu não gosto muito porque me apavora. Mas ele pode. Ele segue insistindo para eu largar a caneta, mas não dá. 
Ele me inspira. 
Eu larguei a caneta, fui pra cama. Fui dele, toda. Pela quarta vez nessa mesma noite, a gente fuma, bebe e come, volta pra cama. Joga, sorri, ri, vê filme. Filme chato, a gente para. E se toca, toca mais. E a gente fica molhado de suor e tesão, ele me fez esquecer, pelo menos por hora, me fez gozar, me fez rir. Meu corpo no dele, sincronia inesperada, poesia, charme, leveza, alívio. A vida é sempre feita de encontros, e por mais que algum encontro em particular não possa ser superado por outros, porque na verdade não pode mesmo.Vou te contar com toda a sinceridade que tento ter e reproduzir sempre: há outros encontros, bons de diferentes formas, outros tamanhos, sabores e cheiros. A gente precisa se manter aberta, livre mesmo presa, se deixando flutuar por aí pra não acabar emaranhada em sentimentos que não podem ser vividos e por essa razão precisam ser deixados para trás. 
Se é entrega o que eu precisava além de toda a que já era minha, você me dá de antemão sem eu nem ao menos pedir, a sua. 

"Toma!" 
"Sente." 

"Me sinta". 

Você me diz sem precisar falar. 
Um dia que pode ter mudado tudo, ou pelo menos me lembrado 
que eu continuo sendo a pessoa mais viva que eu conheço e continuo sendo.


Aline Vallim. 

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