terça-feira, 10 de outubro de 2017

E o seu maior medo, qual é?

Não existe o amanhã. Não existe o depois de amanhã, não existe o depois e tampouco os seus planos para o futuro. Não existe futuro. A gente se agarra no futuro porque no fundo há o medo, e é tão confortável adiar os planos que você nunca teve certeza se aconteceriam, ou até mesmo teve medo de que acontecessem e colocar a culpa no futuro. O futuro é zona de conforto. É auto sabotagem. O futuro é desculpa.
Ou a gente vê isso e encara da melhor forma possível ou não fazemos nada. Nunca.
Eu quero viver todas as possibilidades, eu quero ter dado todas as chances que meu coração pedir. Para todos. Para tudo. Eu quero esgotar os "e se" que nos assombram.
Do que você tem medo?
Eu pensei que pensaria em mil respostas para essa pergunta, no entanto não consegui. Pensei que de repente, a minha falta de certeza para a minha vida profissional seria uma possível resposta à essa pergunta. Pensei. Talvez a solidão, mas não qualquer solidão. A solidão da falta de quem eu mais quero. De quem faz falta, de quem eu um dia, conheci. Alguns nomes que me vêm a cabeça.
Esse é um medo, mas se a solidão vier a acontecer, a gente supera. Ou talvez não, mas se acostuma, pelo menos.
O meu maior medo? Depois de um longo tempo me questionando e pensando incessantemente nessa pergunta, eu encontro um. E é não ser clara, é não me fazer entender a ponto restarem dúvidas. É como se fosse uma fixação oral. Esse é o meu medo. O maior. A sensação de eu não ter feito o possível e o impossível, a ponto de que não percebam. Não entendam.  Eu não quero que algo deixe de acontecer ou aconteça de uma forma menor, menos rica, por eu não ter deixado claro. Por A mais B.
Então, eu exponho. Me exponho. Me deixo toda à luz, nua, para que não seja possível um erro de leitura ou interpretação. Há quem diga que eu me abra muito, mas eu não sei ser pouco. E isso não é ruim.
Acho por vezes, que não consigo expressar com atitudes, então eu abro a boca. E afio os dedos que já são afiados por natureza, e escrevo.
Esse é o meu medo. Acho que nem tem nome específico para esse medo, não inventaram.

Eu comecei a escrever sem saber qual era a razão desse ajuntamento de palavras, mas acho que é essa mesmo. O medo. O que deixamos de fazer por medo, por covardia. Por medo de ser infeliz e de ser feliz também. Pelo peso que esmaga o coração e não nos deixa respirar. E deixa eu te falar meu bem, que nada nessa vida vale mais do que você fazer o possível e o impossível para ser feliz. E que se mesmo depois disso, ainda estiver triste, você sabe que não foi por conta de falta de atitude ou de falar o que precisava ser dito. Se você morresse amanhã, teria dito o que precisava ser dito?

"Eu te amo."

"Você é importante."

"Tô com medo."

"Me ajuda."

"Você é tudo para mim."

"Não vai embora!"

"Volta!"

Você teria dito tudo?


________________E o seu maior medo? Qual é?__________________



Aline Vallim.

sábado, 30 de setembro de 2017

Livre mesmo presa.

Eu com um cigarro aceso e  uma taça e vinho, ele deitado nu na cama. Eu tento desenvolver as ideias para transcrever o que sinto, mas a verdade é que ele me fez sentir como eu nunca, jamais esperaria sentir. Não agora. Eu me senti feliz. Bem agora, aqui, vivendo o que eu vivo e sentindo o que eu sinto. Pensando que seria impossível tirar a mente das coisas que me deixam triste. A gente se esquece que não pode perder tempo e que se algum contexto não parece favorável e se você já fez o que tinha para fazer, você apenas sai andando pra frente, sempre. Se move pro mundo se mover.
Ele levanta, vem ler o que eu to escrevendo, eu escondo o papel, me diz que eu tenho que parar e dar atenção à ele. Porque ele já tá com saudade e vontade, me faz cócegas algo que eu não gosto muito porque me apavora. Mas ele pode. Ele segue insistindo para eu largar a caneta, mas não dá. 
Ele me inspira. 
Eu larguei a caneta, fui pra cama. Fui dele, toda. Pela quarta vez nessa mesma noite, a gente fuma, bebe e come, volta pra cama. Joga, sorri, ri, vê filme. Filme chato, a gente para. E se toca, toca mais. E a gente fica molhado de suor e tesão, ele me fez esquecer, pelo menos por hora, me fez gozar, me fez rir. Meu corpo no dele, sincronia inesperada, poesia, charme, leveza, alívio. A vida é sempre feita de encontros, e por mais que algum encontro em particular não possa ser superado por outros, porque na verdade não pode mesmo.Vou te contar com toda a sinceridade que tento ter e reproduzir sempre: há outros encontros, bons de diferentes formas, outros tamanhos, sabores e cheiros. A gente precisa se manter aberta, livre mesmo presa, se deixando flutuar por aí pra não acabar emaranhada em sentimentos que não podem ser vividos e por essa razão precisam ser deixados para trás. 
Se é entrega o que eu precisava além de toda a que já era minha, você me dá de antemão sem eu nem ao menos pedir, a sua. 

"Toma!" 
"Sente." 

"Me sinta". 

Você me diz sem precisar falar. 
Um dia que pode ter mudado tudo, ou pelo menos me lembrado 
que eu continuo sendo a pessoa mais viva que eu conheço e continuo sendo.


Aline Vallim. 

domingo, 6 de agosto de 2017

O Universo quer falar.

Eu levei tanto tempo para escutar quem não tem boca.
Até agora, sentada aqui na frente desse papel e segurando essa caneta, te falando sobre o tempo e o que ele me fez, não sei se ainda consigo ouvir com perfeição. Mas já sei que há sinais e mensagens que são mandados à nós e que se não estivermos atentos, simplesmente os perdemos. 
Saber disso já é um trunfo, mesmo que de vez em quando ainda percamos, por simples distração, alguns avisos. O universo tenta falar com você de todas as formas quando precisa te dizer algo. Ele se desespera, mesmo. Ele manda até whatsapp, ele bate na porta, ele desenrola bem de frente aos seus olhos situações que de alguma forma chamem a sua atenção. Ele fala com você usando a sua própria mente. Mas há momentos em que nem nela, prestamos atenção. 
E lá vamos nós deixando escapar mais uma vez, uma das formas que o mundo e sua forma eficaz de girar, utilizam para levar-nos, algum recado.
Mas inesperadamente, você fica em paz. Depois de tanto se debater, você cede. Se entrega ao inevitável. É como se o pescador olhasse para o pescado esperando apenas que o mesmo se convença de que não adianta mais lutar. Assim é o Universo, a vida e nós, algumas vezes. 
Em algum momento, é como se o seu inconsciente começasse a absorver os inúmeros recados mandados. E esse entendimento se alastrasse, se tornando totalmente consciente. Você sabe que deve diminuir a velocidade, você sabe que é melhor parar. Mudar a direção, o foco. 
Não há o que fazer. Pelo menos não agora. Relaxe, é só esse momento. 
Não é para sempre. Não é definitivo. Respira.
Como quem ao se afogar, para de chocar-se contra a água e bóia.
Não lute mais, só se desarme, aceite, tranquilize-se. Viva exatamente o que precisa viver. Talvez seja exatamente isso, o que a vida quer. As coisas vão se acomodando como tem que ser, sempre. O mundo vai continuar amanhã.

Resiliência. 

Aline Vallim. 

sábado, 29 de julho de 2017

Vontade.



Eu deitada ao seu lado
o calor que emana do seu corpo
bate em mim como a saudade
que sempre senti de você
mesmo antes de te conhecer.
Até sem te reconhecer.
Sua anatomia, conspicuidade.
Essa vontade.
Meus dedos resvalam com
carinho pela sua fronte.
Me perdi em você e não sei onde
me reencontrar.
É como se eu tocasse
o portal que me leva
diretamente para outra dimensão.
Que me transporta para a imensidão.
Tão cheio de culpas, errante
como qualquer tripulante
dessa embarcação.
Tão meu. Maravilhoso.
E é como se eu tivesse uma dívida 
com o Universo por ter cedido 
uma parte da sua vida
pra eu poder escrever com você.

Aline Vallim.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Quando.

Quando o seu coração tá tão murcho que parece que não tem mais força para bombear.
Quando você pensa que tá tão sozinho, que parece que foi o único "sortudo" sobrevivente de uma explosão nuclear que ao que parece, assolou a Terra.
Quando ninguém te entende, e não importa que você esteja com vontade de chorar deitada no chão até não ter mais lágrimas,  e ninguém consegue ser sensível na hora que você mais precisa. 
Quando você fala mas não consegue que ninguém entenda. Parece que você fala qualquer língua, menos o idioma do resto das pessoas ao seu redor.
Quando você se sente apenas um ajuntamento de moléculas, que ainda não faz ideia do que veio fazer aqui. 
Quando você não sabe do seu futuro e também tem medo de saber. 
Quando não vê nenhuma possibilidade de melhora ou nenhuma reviravolta que de alguma forma possa te fazer sorrir de novo. Quando esboçar um sorriso genuinamente parece um sacrifício. Há momentos de extrema tristeza, como esse agora, que sento em frente ao computador e choro copiosamente querendo com todas as minhas forças ser salva. Ao mesmo tempo, eu sei mais do que posso explicar que a única coisa que não devemos esperar de ninguém é salvamento. Mas às vezes, é mais forte. 
Nesses momentos quando os "quandos" são muitos, e quando a gente não encontra remédio, é bom chorar. Mesmo com medo de se afogar. Mesmo que seja difícil de parar. 
Soluce, fique sem ar, queira morrer e daí então volte mais forte. 
A gente não tem muita escolha, quando começa a chover. Não é?
Temos que esperar passar.


Aline Vallim.

De onde vem o desejo.

Essa coisa de tentar explicar de onde vem o desejo é perda de energia.
É ter certeza que palavras, eu não vou encontrar.
Ele brota como água em nascente. Ele se acomoda gentilmente no corpo e na mente, como a criança que cuidadosamente se aninha no colo de mãe.
Tenho vontade de te explicar pro meu coração, mas  quando ele te olha só sente aquela sensação boa de inverno com Solzinho quente na medida certa, abraçando a pele. Aquele sentimento de que a vida não pode ser mais maravilhosa, e que se ela for um centímetro mais perfeita é capaz de o céu explodir e virar serpentina. É agonia.
É café quente que queima a língua. É língua molhada que beija gostoso.
O desejo de tão apetitoso é incômodo. Sempre implora por explicações que nunca são dadas. Porque ao mesmo tempo, ele rejeita todo e qualquer raciocínio lógico.
Então, me dê a mão quando eu a estender para você. Me acompanhe até a cama quando eu estiver procurando pelo seu colo ou pelo seu sexo. Ou pelos seus ouvidos quando eu estiver triste demais, e precisar do seu incentivo. E dos seus elogios de admiração e cobertos de boas intenções.
Se dedique ao que não pode explicar, devote-se a divindade do que não é concreto mas nem por isso, é menos palpável.
Me faça derreter como quando me olha em admiração só porque eu te deixo, às vezes por raiva e outras por perplexidade, sem palavras.
Me faça continuar sem poder te explicar, porque o melhor da vida nunca caberá dentro de qualquer verbalização.
Fica, amor.
Seja amor.


Aline Vallim. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Solitude.

A solidão morre de medo da solitude!
Confuso, porém poético!
Danadinha essa tal da solidão, se faz de
melhor amiga para você não se desgarrar
dela, quer ser sempre a parceira inseparável
de todas as horas de angústia só para você
não se enxergar no espelho
e aprender que sua compania é tudo o que você
mais precisa lapidar!
Brilhou? Pronto, fodeu ela fica louca.
Já sabe que você encontrou uma amiga melhor
do que ela não tem sido: a solitude!
A solitude demora para chegar, mas traz
com ela um dos maiores presentes que a vida
pode te dar, o encontro com você!
Cheia de doçura, a solitude nada mais é do
que o estágio do: eu me aceito, gosto de mim
assim e consigo ficar comigo durante horas a fio criando os passos mais certeiros que daremos em comunhão!
A solidão só quer te encher a porra do saco
de mais vazio, enquanto a solitude de amor
e gratidão por você amar a ti mesmo, e consequentemente a vida!


Dri Cassimiro, amiga do Eu dou o que escrever, desde os primórdios.

E o seu maior medo, qual é?

Não existe o amanhã. Não existe o depois de amanhã, não existe o depois e tampouco os seus planos para o futuro. Não existe futuro. A gent...