sábado, 29 de julho de 2017

Vontade.



Eu deitada ao seu lado
o calor que emana do seu corpo
bate em mim como a saudade
que sempre senti de você
mesmo antes de te conhecer.
Até sem te reconhecer.
Sua anatomia, conspicuidade.
Essa vontade.
Meus dedos resvalam com
carinho pela sua fronte.
Me perdi em você e não sei onde
me reencontrar.
É como se eu tocasse
o portal que me leva
diretamente para outra dimensão.
Que me transporta para a imensidão.
Tão cheio de culpas, errante
como qualquer tripulante
dessa embarcação.
Tão meu. Maravilhoso.
E é como se eu tivesse uma dívida 
com o Universo por ter cedido 
uma parte da sua vida
pra eu poder escrever com você.

Aline Vallim.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Quando.

Quando o seu coração tá tão murcho que parece que não tem mais força para bombear.
Quando você pensa que tá tão sozinho, que parece que foi o único "sortudo" sobrevivente de uma explosão nuclear que ao que parece, assolou a Terra.
Quando ninguém te entende, e não importa que você esteja com vontade de chorar deitada no chão até não ter mais lágrimas,  e ninguém consegue ser sensível na hora que você mais precisa. 
Quando você fala mas não consegue que ninguém entenda. Parece que você fala qualquer língua, menos o idioma do resto das pessoas ao seu redor.
Quando você se sente apenas um ajuntamento de moléculas, que ainda não faz ideia do que veio fazer aqui. 
Quando você não sabe do seu futuro e também tem medo de saber. 
Quando não vê nenhuma possibilidade de melhora ou nenhuma reviravolta que de alguma forma possa te fazer sorrir de novo. Quando esboçar um sorriso genuinamente parece um sacrifício. Há momentos de extrema tristeza, como esse agora, que sento em frente ao computador e choro copiosamente querendo com todas as minhas forças ser salva. Ao mesmo tempo, eu sei mais do que posso explicar que a única coisa que não devemos esperar de ninguém é salvamento. Mas às vezes, é mais forte. 
Nesses momentos quando os "quandos" são muitos, e quando a gente não encontra remédio, é bom chorar. Mesmo com medo de se afogar. Mesmo que seja difícil de parar. 
Soluce, fique sem ar, queira morrer e daí então volte mais forte. 
A gente não tem muita escolha, quando começa a chover. Não é?
Temos que esperar passar.


Aline Vallim.

De onde vem o desejo.

Essa coisa de tentar explicar de onde vem o desejo é perda de energia.
É ter certeza que palavras, eu não vou encontrar.
Ele brota como água em nascente. Ele se acomoda gentilmente no corpo e na mente, como a criança que cuidadosamente se aninha no colo de mãe.
Tenho vontade de te explicar pro meu coração, mas  quando ele te olha só sente aquela sensação boa de inverno com Solzinho quente na medida certa, abraçando a pele. Aquele sentimento de que a vida não pode ser mais maravilhosa, e que se ela for um centímetro mais perfeita é capaz de o céu explodir e virar serpentina. É agonia.
É café quente que queima a língua. É língua molhada que beija gostoso.
O desejo de tão apetitoso é incômodo. Sempre implora por explicações que nunca são dadas. Porque ao mesmo tempo, ele rejeita todo e qualquer raciocínio lógico.
Então, me dê a mão quando eu a estender para você. Me acompanhe até a cama quando eu estiver procurando pelo seu colo ou pelo seu sexo. Ou pelos seus ouvidos quando eu estiver triste demais, e precisar do seu incentivo. E dos seus elogios de admiração e cobertos de boas intenções.
Se dedique ao que não pode explicar, devote-se a divindade do que não é concreto mas nem por isso, é menos palpável.
Me faça derreter como quando me olha em admiração só porque eu te deixo, às vezes por raiva e outras por perplexidade, sem palavras.
Me faça continuar sem poder te explicar, porque o melhor da vida nunca caberá dentro de qualquer verbalização.
Fica, amor.
Seja amor.


Aline Vallim. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Solitude.

A solidão morre de medo da solitude!
Confuso, porém poético!
Danadinha essa tal da solidão, se faz de
melhor amiga para você não se desgarrar
dela, quer ser sempre a parceira inseparável
de todas as horas de angústia só para você
não se enxergar no espelho
e aprender que sua compania é tudo o que você
mais precisa lapidar!
Brilhou? Pronto, fodeu ela fica louca.
Já sabe que você encontrou uma amiga melhor
do que ela não tem sido: a solitude!
A solitude demora para chegar, mas traz
com ela um dos maiores presentes que a vida
pode te dar, o encontro com você!
Cheia de doçura, a solitude nada mais é do
que o estágio do: eu me aceito, gosto de mim
assim e consigo ficar comigo durante horas a fio criando os passos mais certeiros que daremos em comunhão!
A solidão só quer te encher a porra do saco
de mais vazio, enquanto a solitude de amor
e gratidão por você amar a ti mesmo, e consequentemente a vida!


Dri Cassimiro, amiga do Eu dou o que escrever, desde os primórdios.

sábado, 22 de julho de 2017

Melhor escolha.

Eu olho pela janela do lugar onde eu trabalho, eu vejo uma imensidão, vejo a baía de Guanabara, vejo uma floresta de concreto, vejo centenas de pessoas passando por hora. Vejo o dia passar tão lindo e vejo tudo escurecer. Quando anoitece, todas as luzes acesas de cada apartamento, casa, escritório, cada centímetro da cidade guarda vidas que eu nunca conhecerei. Todos carregam tanto, todos carregam o que quase ninguém nunca saberá.
Quem esbarra em mim pra em seguida pedir desculpa, ou não pedir. Quem me sorri um bom dia, com calor e vontade. Quem me fecha a cara, quem me é arrogante... Tanto, tanto que passa e nunca é revelado. Essa noção pode ser fascinante ou simplesmente aterrorizante. Quantas pessoas maravilhosas, a gente não vai ter a chance de tocar e se tocado. Os dias passam, as pessoas também, as chances nem se fala. A gente não se permite pelos mais diversos motivos. Ou paga pra ver, vive, e segue. Nunca teremos vivido o bastante. Sempre haverá o mundo para descobrirmos. A maioria de nós está perdido nesse mar de gente, tentando apenas se encontrar. Ou ser encontrado. 
Aquela oportunidade de ouro, aquele olhar certeiro. Muitos de nós congela, paralisa, tem medo. Mas a não ser que você tome coragem e dê o primeiro passo em direção ao que você deseja, não será notado em meio a multidão. O universo precisa de movimento pra girar. Faça o seu mundo caminhar. 
Se mexa! Se dê chances que ninguém mais daria. 
Tantos questionamentos, tantas dúvidas, tanta vida que a gente perde para ganhar a vida.
Vai!  Seja sempre a melhor escolha que alguém possa fazer. 
Não tenha medo.
Deixe marcas nos corações e nas vidas, as quais você tocar. Tenha humildade. 
Não tenha muletas emocionais. Exercite sempre sua independência sentimental mas respeite o que vai dentro do outro. 
A gente segue, sem saber ao certo pra onde. A vida é assim.
A vida não é encontrar o que se procura, é o caminho em si até o encontro. Faça desse caminho o mais próximo do que acredita pra si, e só vá. Dê o seu primeiro passo, seja ele como for ou qual for. 
Não tenha medo do seu medo, e acredite em mim quando eu digo: Você não é o único. Estamos todos com medo. No final, nada importa muito. Não é sobre ser bem sucedido, não é sobre ganhar muito dinheiro, não é sobre a sua posição ou prestígio, não é sobre o superficial. No final o que conta de verdade, é a vida que você viveu e como você encosta na alma do outro e colore tudo a sua volta. 
Vai! 


Aline Vallim.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Você é lição que eu preciso aprender.

Tá tão silêncio aqui, mas tanto. Que eu nunca ouvi uns gritos tão altos. Tô até quase levantando da cadeira para ver de onde vem tanto barulho. Olho para um lado, e para outro...Nada. Silêncio absoluto. 
Encosto meus pés descalços no chão, meu corpo reage inteiro ao frio dessa noite.E acabo me lembrando que os gritos estão dentro de mim, e que todo o barulho é meu também. A gente procura sentido e não acha, tenta achar referência, procuramos dar nomes e rótulos, mas nada se molda ao que precisamos no momento. A gente tenta não fraquejar, mas esquece que falha e que recebe de si mesmo, justamente o que não espera. A gente acha que está pronto mas não está. 
Sabe uma ressaca moral? Aquela vergonha de si mesmo, por ter errado? 
Então, é dela que falo. Ela atrapalha um pouco o discernimento mas ao mesmo tempo, ajuda. Ajuda porque na hora que o corpo mole e querente quer ceder, ela tá lá. Espizinhando. Pra te lembrar que a maldade existe, que a lábia maliciosa também, que a dissimulação tá aí pra ser jogada na cara de quem quer que seja, e a única coisa que espera é algum inocente para validá-la. 
Você pensa que não é mais esse tipo bobo que vai se quer titubear ao ouvir algum jogo de palavras atraentes.Mas acaba que na hora você, vacilante que só, vacila. 
Perde o foco. Ao mesmo tempo que é bom lembrar que nem todas as pessoas são iguais, ou são falhas nos mesmos pormenores, é bom não se esquecer que somos exatamente capazes das mesmas velhas e previsíveis demonstrações de desafeto. 
O barulho incessante vinha de dentro de mim, eu tentei olhar pela janela com a minha taça de vinho e o meu cigarro aceso, para tentar chegar a alguma conclusão acerca da minha confusão. Cheguei.  Mas não antes de te querer pela última vez, mandar a última mensagem. Receber o último sinal. Não antes. Porque como em qualquer jogo, o último movimento precisa ser feito para que o fim da partida possa ser clamado. Me despedi hoje de você, pareceu indigesto, pareceu ruim. Não foi ruim perder você. Eu nunca te tive, então não faz diferença. 
O amargo mesmo foi perder mais um pouco da inocência que eu nem tinha ideia que ainda fazia morada dentro de mim. Você mesmo parecendo legal, é uma história enredadora, ilusória. Você ainda é a o lado pernicioso do mundo, você é a lição que eu preciso aprender. Não falo isso com raiva, ou despeito, apenas com um pesar tristonho. Porque há conclusões as quais preferimos, não chegar.
Mas não por você, pela boa fé que nós todos os dias, lutamos para manter.




Aline Vallim. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Caos e confusão.

Sem entender nada, eu tô aqui já minutos depois de você ter passado por mim e me olhado com o olhar que eu não sei entender. E tampouco reagir.
Tô aqui juntando peças e querendo decifrar a razão pela qual você não sai da minha cabeça.
Minha razão, essa que nunca foi minha preferida, claramente ainda nao é.
Porque não há nem que eu pare por muito tempo para pensar, qualquer rastro de vida que me ligue à você.
A gente tenta ter controle mas só temos instinto, a gente não sabe onde está indo durante a maior parte do tempo. A gente tem dificuldade de largar de mão do que não consegue, principalmente quando queremos muito.
A sua falta de atitude fala por si, eu não precisaria de mais nenhuma prova ou evidência até porque sou esperta, mas os olhares não. Esses me alimentam e isso não é justo.
Quero não falar, quero ignorar mas as pernas bambeiam. O rosto fica quente. O corpo também. Aquele calor no corpo que a gente gosta. E mais ainda, precisa.
Aquele caos e confusão que nos fazem viver quando já esquecemos como é. Quando entramos em um mecanismo sentimental robótico precisamos de um sacode. Eu só sei ser isso, o que aquece, o que chacoalha...Não sei ser paz, não sei se sei ser meiguice e quietude. Talvez, assuste.
Você já esteve dentro de mim, de todas as formas possíveis. E nunca esteve perto o suficiente.
Fico imaginando o que vai junto com a sua excentricidade disfarçada de simplicidade, as músicas que escuta, como se comporta, o som da sua risada, o que te deixa nervoso e o que te faz feliz.
Mas não sei nada, só sei o que o contorno do seu corpo faz comigo assim que te reconheço em qualquer que seja o lugar dentro dos poucos ambientes que dividimos.
Eu não sei por qual razão você ainda está saindo dos meus dedos e me dando frases completas cheias de um sentimento que nem escrevendo, eu entendo. Já era pra eu ter secado de você. Mas sigo eu voraz.
Mais alguns minutos passaram, e eu entendo tanto quanto entendia no começo dessas palavras, vou deixar de compreender amanhã também, e vou seguir não chegando à uma conclusão. Fiquei meio obcecada por um fantasma engimático. Não consigo me doar, porque só quero trocar com você. Talvez eu te exorcise pelas minhas linhas. Talvez não. Eu sigo sem entender.


Aline Vallim.

Esqueci de sonhar.

Reencontrei minha melhor amiga durante o período do ensino médio, brigamos por alguma razão estúpida que nenhuma das duas se lembra. Não é a...